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🌅Lençóis Maranhenses: entre dunas, lagoas e rios

9 de jul.
8 min de leitura

Atualizado: 10 de jul.

Fechamos as malas e fomos. São Paulo – São Luís de avião (3h30), e de São Luís até Barreirinhas mais 4h30 de translado. Cansativo? Um pouco. Mas já dá um gostinho do que vem por aí. 


🚗 Dica logo de cara: prefira translado a alugar carro. As estradas da região têm muitos buracos, e parte do trajeto entre as cidades pode ser feita de lancha.

Antes de entrar no roteiro cidade por cidade, um dado que vale saber: os Lençóis não são um cenário parado. As dunas se movem até 20 metros por ano dentro do parque, e a areia avança cerca de 2 metros por ano em direção ao continente. Ou seja, quem for ano que vem não vai ver exatamente a mesma paisagem que a gente viu.

 

🎒O que levar na mala:

Leve pouco peso e roupas leves. 


  • Você vai andar o tempo todo de chinelo e descalça (nas dunas vai ficar descalça). 

  • Biquínis, maiôs, sungas (leve no mínimo dois). 

  • Camisa com proteção UV (vai ser uma mão na roda). 

  • Shorts, camisetas.

  • Uma calça e um casaquinho corta-vento podem ser providenciais (principalmente à noite). 

  • Boné, lenços, chapéu (que fiquem bem firmes na cabeça). 

  • Óculos escuros. 

  • Canga ou toalha de secagem rápida (microfibra). 

  • Protetor solar. 

  • Hidratante. 

  • Repelente (para jantar ou passear nas cidades à noite). 

  • Bolsa impermeável e fechada (as abertas entram muita areia). 

  • Carregador portátil. 

  • Soro fisiológico — não li isso em nenhum lugar, mas meu nariz ficou muito ressecado e em alguns momentos foram bem ruins para respirar, principalmente quando venta.


Vestidinhos e calças leves podem compor um look mais bonitinho para sair, mas não leve nada sofisticado.

Jeans e tênis só se for para chegar e sair de São Luís (rsrs).

 

Nosso roteiro se dividiu em 4 cidades:


BARREIRINHAS

A cidade com mais estrutura do roteiro — lojas, bares, mercado, farmácia, de tudo um pouco. 

 


🏡 Onde ficamos: Pousada Portal do Sol (2 noites, com café da manhã).

Pousada OK. O diferencial foi ter marina, então no dia que fomos para Atins, pegamos a voadeira na própria pousada. 


🍽 Onde comemos:  

Bambaê (Restaurante e Bar) foi disparado o destaque. Cardápio variado, pedimos um risoto de parmesão, mas o carro-chefe da casa é o camarão no abacaxi. A caipirinha de caju também foi ponto alto. Detalhe importante: eles oferecem translado gratuito de ida e volta para o hotel. 

A Avenida Beira Rio concentra boa parte dos restaurantes da cidade. Não fomos em todos, mas recebemos indicação de: O Jacaré, A Canoa e Mangue. 

 

👣 Passeios que fizemos: 

  • Lagoa Azul e Lagoa Bonita: parada clássica para banho.

  • Sobrevoo pelos Lençóis: existem 4 rotas com durações diferentes; fizemos a rota 2 (Oásis e Lagoas), 30 minutos. Vale cada segundo. 

  • Circuito Caburé (Barreirinhas/Atins): navegação com paradas em Vassouras/Pequenos Lençóis e no Farol de Mandacaru, almoço na Praia do Caburé e chegada final em Atins. 


📝 Nossas observações: algumas paradas são muito rápidas e talvez valha ver a opção do translado privativo com negociação de tempo nas paradas. 

  • Vassouras (frequentemente chamado de Pequenos Lençóis): é um vilarejo de pescadores, localizado na Área de Proteção Ambiental de Paulino Neves. O local fica às margens do Rio Preguiças e é a principal parada dos passeios de lancha (voadeira). Eu e Tamara preferimos dar uma volta pelas dunas e a Dani foi ver os macaquinhos-prego. Ou seja, tivemos que escolher entre uma coisa ou outra por causa do pouco tempo de parada. 

  • Mandacaru: o tempo de parada dá, basicamente, para subir o farol e voltar. Sentimos falta de um tempinho a mais para ver as lojinhas. Aliás, foi o único lugar que tinha artesanato local. 

  • Praia do Caburé: faixa de areia entre o rio e o mar, onde ficamos mais tempo. Nossa  experiência com a comida não foi boa: demorou muito para chegar um pedido simples de batata frita e caipirinha de caju, a batata veio ruim e a caipirinha nem chegou — ficamos só na Coca-Cola (pode ter sido só azar do dia). O guia já recolhe os pedidos de almoço sem dar opção de escolha em outro restaurante (mas pode se quiser). Dica: como essa é a última parada antes da cidade, leve algo para beliscar e deixe a refeição principal para Atins.  

    Aproveite a parada no Caburé para hidratar, curtir a praia e, se der, fazer o passeio de  quadriciclo até o Parque Eólico. 

 

🔎 Para pesquisar antes de ir:  

  • Mirar as Estrelas : soubemos dessa experiência durante a viagem e não deu tempo de encaixar. Algumas agencias oferecem esse tour, mas o que gostamos mesmo é o @mapeandogalaxias (que eleva a experiência e foi super recomendado).

  • Artesãos de palha de buriti em Marcelino: povoado próximo onde as artesãs extraem a fibra do buriti à mão para fazer bolsas, chapéus e acessórios. Imersão cultural boa e apoio direto à comunidade local. 

 

 

ATINS

A cidade mais charmosa do roteiro. Ainda falta estrutura, mas lembra Caraíva de uns dez anos atrás.

Os burros (ou jumentos) são figuras comuns e frequentemente vistos circulando livremente pelas ruas de areia de Atins e na região do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Eles fazem parte da paisagem local e podem ser encontrados transitando soltos pelas ruas.

 


🏡 Onde ficamos: Pousada Irmão Atins (2 noites, com café da manhã).

Pousada OK. O diferencial foi o quarto amplo (mas não sei se todos os quartos são assim. 


 🍽 Onde comemos:  

  • Bar.co: fica à beira-mar e foi uma experiência incrível — vista linda, ambiente e atendimento perfeitos. Tinha acabado de inaugurar, então tudo estava novo e limpo. Sem dúvida o banheiro mais bonito que vi na viagem (rsrs). A carta de vinhos é caríssima, mas tem outras opções para acompanhar o pôr do sol majestoso. 

  • Çá-Va: tem forte inspiração na culinária e decoração grega. Nossos pratos foram ótimos, mas os sorvetes foram o ponto alto! 

  • La Pizza: ambiente agradável, comemos a melhor bruschetta da vida. A pizza estava boa, mas achamos cara pelo que foi entregue. 


Não fomos, mas indicaram: Okarú, Pininga e Restaurante da Sesé.

 

👣 Passeios que fizemos:  

  • Canto do Atins: vilarejo de pescadores onde o Rio Preguiças encontra o mar, com lagoas e restaurantes conhecidos pelo camarão na brasa. Almoçamos no restaurante Canto de Atins.

  • Ponta do Mangue: outro vilarejo, outras lagoas, mas o nosso guia Didi nos apresentou o pôr do sol mais bonito que vimos nas dunas. 

 

🔎 Para pesquisar antes de ir:  

  • Baladas: duas festas conhecidas acontecem no mesmo local, Bar do Cajueiro — noite do reggae às quintas e noite do forró aos sábados. São voltadas para os nativos, mas turistas são bem-vindos. 

  • Revoada dos Guarás: passeio de barco no fim de tarde pelo Rio Preguiças para ver os guarás (aves vermelhas) voando para dormir numa ilha de mangue. Depende de sorte, nem sempre tem muitos pássaros — vale pesquisar melhor antes de contar com isso no roteiro.  

  • Kitesurf: Atins é um dos principais picos de kite do mundo por causa do vento. Mesmo sem praticar, vale sentar-se na praia no fim de tarde com uma bebida e ver os velejadores no encontro do rio com o mar. 

 

 

SANTO AMARO 

Não é a cidade com mais estrutura nem a mais charmosa, mas tem as lagoas mais bonitas do roteiro e fica colada ao parque. 



🏡 Onde ficamos: Pousada Lençóis Maranhenses (3 noites, com café da manhã).  

A pousada mais bonita das três, mas o quarto é pequeno (quarto para três pessoas são sempre 1 cama de solteiro e 1 cama de casal. Então tem que ver certinho a configuração do quarto). O diferencial foi ficar bem pertinho da entrada do parque. Não peça o queijo quente do restaurante.


🍽 Onde comemos: 

  • Dunas Bistro Lençóis: ambiente agradável, não é barato, mas os pratos são grandes, então dá para dividir (aliás, todos os pratos durante a viagem foram divididos). 

  • Flor de Vinagreira: é a nova unidade nos Lençóis Maranhenses do renomado restaurante de São Luís, inaugurada no início de junho de 2026. A casquinha de caranguejo e o arroz cremoso com carne de sol foram nossos destaques, além do atendimento dos garçons e da gerente. 


Não fomos, mas indicaram: Maravie, Le Roque Gastrobar e sorveteria Quero Quero. 

 


👣 Passeios que fizemos:  

  • Circuito Lagoas Gaivota e Andorinha:  lagoas próximas da cidade, pouco deslocamento, bastante tempo para mergulho.

  • Circuito Lagoas Emendadas: um dos passeios mais bonitos do parque, parte de 4x4 e parte a pé (7km ida e volta) até as lagoas que ficam emendadas na cheia. Depois de ver o pôr do sol, a volta ao anoitecer traz um charme especial. 

  • Circuito Betânia: dia inteiro, visita a lagoas e chegada ao povoado de Betânia, com almoço caseiro e pôr do sol nas dunas. 

 

🔎 Para pesquisar antes de ir:

  • Comunidade da Rancharia: povoado isolado dentro do parque, cercado por dunas. Menos visitado que Betânia, oferece uma imersão mais profunda na vida de quem convive com as dunas móveis todos os dias. 

  • Tem sobrevoo de helicóptero pelos Lençóis, mas achamos caro.  

 

 

SÃO LUÍS 

Tivemos pouco tempo na capital, então priorizamos um giro pelo centro histórico e uma festa junina. 



🏡 Onde ficamos: Brisamar Hotel & SPA (1 noite, com café da manhã). Aqui são três os diferenciais: o restaurante Casa de Juja fica dentro do hotel, você pode marcar uma massagem maravilhosa no SPA (tem várias opções, fizemos a massagem relaxante) e o por do sol em frente ao hotel é lindo.

 

🍽 Onde comemos: 

  • Casa de Juja:  restaurante consagrado da culinária maranhense criado pela chef Ana Lula (a "Juja").


Não fomos, mas indicaram: Cabana do Sol, Mamma Restaurante, Cafofinho da Tia Dica e Ferreiro Praia / Tasquinha Ferreiro. 

 


👣 Passeios que fizemos:  

  • Centro histórico: o maior conjunto homogêneo de arquitetura civil colonial portuguesa da América Latina. Passamos pela Rua do Giz, pelo Palácio dos Leões e pelos casarões de azulejos portugueses. Precisa de mais cuidado — algumas partes parecem abandonadas e pedem reforma — mas o potencial é grande. Era feriado e muita coisa estava fechada, então não deu para ver tudo com calma. Ainda assim, sobrou tempo para umas comprinhas. 

  • Arraial do IPEM: festa junina no Centro Social dos Servidores do Estado (bairro do Calhau), com três palcos e muitas barracas de comida, bebida e produtos locais. Entrada gratuita. Não deixe de ir. 



🔎 Para pesquisar antes de ir:  

  • Pôr do sol na Praia de Ponta d’Areia e Espigão Costeiro — estrutura moderna contra erosão que virou ponto de encontro no fim de tarde.  

  • Casas de Cultura (Casa do Maranhão e Centro de Cultura Popular) — espaços dedicados às tradições do estado, como Bumba Meu Boi e Tambor de Crioula. 

  • Mercado das Mercês — alternativa mais tranquila que o Mercado Central, boa para comprar farinha d’água maranhense, camarão seco e provar sucos de bacuri, cupuaçu e cajuí. 

 

 

🌿 Curiosidade gerais


  • Um detalhe que aprendemos na viagem: as lagoas marrom-escuras que aparecem pelo caminho não são sujeira. Elas se formam perto da vegetação de restinga, acumulam folhas e galhos que se decompõem e liberam ácidos orgânicos — um “chá natural” que tinge a água. É sinal de vida, não o contrário. 


  • E por toda parte, a sombra vem do babaçu e do buriti, as palmeiras mais típicas da região. O babaçu é símbolo do Maranhão e sustenta milhares de famílias através do trabalho das quebradeiras de coco.


  • São Luís, capital do Maranhão, é conhecida como a "Jamaica brasileira" devido à sua profunda e histórica ligação com o reggae. O ritmo caribenho chegou à cidade na década de 1970 através de ondas de rádio e marinheiros. Rapidamente, o gênero tornou-se um pilar da identidade cultural local.



✨ Conclusão:


Esse foi nosso roteiro e dicas. Para a quantidade de dias que tivemos, não alteraria nosso roteiro — Talvez incluísse o Mirar das Estrelas com o @mapeandogalaxias (que leva telescópio e tudo). 


Existe tambem a opção de trekking (travessia a pé) pelo Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses exige bom preparo físico para caminhar cerca de 40 km sobre dunas. Os roteiros duram de 3 a 5 dias, cruzando as paisagens de Atins a Santo Amaro ou Baixa Grande, com pernoites rústicos na casa de moradores locais em oásis no meio do deserto. Não fizemos, nem cogitamos... mas fica aqui a dica para aventureiros.


Os meses de lagoas cheias são de junho a agosto. Julho é o mês mais lotado de gente. Setembro, dependendo do ano, as lagoas já estão secando.


Viagem para fazer com gente alto-astral, que topa as caminhadas, o sacolejo dos trajetos, areia para todo lado… mas tudo vira ótimas histórias regadas a paisagens memoráveis e por do sol inesquecíveis.

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